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UM DIA NO CIRCO

Narração de fato real,
durante um espetáculo de circo.


                    Por volta de 1945, mais ou menos 6 anos, morava eu em São Bernardo do Campo, afastado da cidade na granja Matarazzo. Pelo menos era o nome que me lembro: Granja Matarazzo, que depois virou estúdio da Cia. Cinematográfica Vera Cruz.

                    Primeiro morei num casarão antigo, com varanda nos quatro lados (ou quase). Parecia uma casa assombrada, e o porão, mais ainda. Só porque entrei lá embaixo, quase apanhei de minha mãe. Meu pai só ficou bravo quando viu as traves do campo de futebol pintadas de muitas cores, das latas de tinta que estavam no porão.

                    Perto da casa havia uma estrada de terra que ia para São Bernardo e para não sei onde. Depois mudamos para uma casa menor do outro lado da granja. Lá perto passava outra estrada de terra, que ia para São Paulo e para São Bernardo.

                    Um dia meu pai chegou com boa notícia. Íamos ao circo. Palhaços e malabaristas. Gostava de ver o palhaço de longe, de perto tinha medo daquela cara esquisita.

                    Foi tudo uma beleza.

                    Só o final, na hora da atração principal que foi chato. Anunciaram um homem mulambento, que começou a declamar. Depois começou a cantar. Tinha uma voz tão grande que enchia todo o circo. Eu achava que as lonas podiam rasgar e cair em cima da gente. Todos bateram palmas. Eu não achei graça. E, nem me importei quando meu pai disse que era Vicente Celestino.


23/10/2003

 

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