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CONTO DE POESIAS

De trechos de poesias,
transformando-se em divagações.


          Quando você tiver muitas dúvidas sobre os homens, quando se sentir perdido entre as diversidades de sentimentos, não deve perguntar a outra pessoa os porquês. Sabe, ela estará de acordo com você, e se perderá também.

          Hoje eu vi uma criança chorando. Seus olhos estavam tristes. Aquela tristeza ingênua que nós chamamos melancolia. Mas tristezas assim os meus olhos não mostram, as minhas eu guardo lá no fundo, magoado com minha vida, que não me deu senão, o amargo de uma saudade. Eu tinha vontade de dizer àquela criança que ficasse feliz por estar assim, meus olhos tristes, melancolia. Amanhã você já terá esquecido tudo. Mas, vai terminar a minha vida e os meus olhos fingidos estarão apagados, assim como o coração que me negou a alegria de ser feliz sinceramente. E, só você vai viver, olhos tristes.

           Eu fico pensando. Recordar é bom. Grandes lembranças que são moldadas para noites de boemia.

           Às vezes a gente excede, e ali de madrugada antes do sol apontar, andando se vai, quase se cai. As pernas se cruzam de modo que não convem, é um vai e vem. O pior é quando passamos por um poste que não sai da frente e bate na gente.

           É difícil deixar passar uma mulher sem mexer e a "ela” sem ver.

           Precisamos chegar em casa sem mácula do álcool que estávamos ingerindo, assim , rindo. Antes fazia calor, a madrugada refrescou e a cabeça melhorou.

           Não se esquece que o serviço já está quase a espera, e o parceiro se vai também, isso não convem. Um dia festivo que passou, com a ressaca rodou, saudades deixou.

           A gente pensa nela. Será saudades? Quem vou acusar por ela não me querer? Serei eu? Vou andar por aí, feliz por fora, a todos enganando com atos alegres. Mas a gente não é só por fora, chega um dia que a gente pensa, vai buscar no tempo, como os olhos buscam no escuro uma luz longínqua, uma lembrança de dias alegres de quem não soube reter aquela felicidade. Vou viver a monotonia do cotidiano, mas podem ter certeza que de tempos em tempos, quando estiver pensativo, é porque estou vendo brilhar ao longe aquela luz.

           Tudo isto é sentimento. São sentidos da vida que partem por aí num mar incerto procurando paz e alegria, na brisa suave da esperança; mas o lastro da saudade os seguram e re tardam. Isto tudo nos torna diferentes um do outro. Tenho vontade então, de saber o que buscam, os olhos dos alguéns.

           Corro as ruas buscando significado para isto, então busco, sei lá, para quem, não sei. Busco talvez dinheiro para o doce de quem gosta e não sabe que, adultos atiçam os olhos famintos, para egoísmo encher.

           Vejo uma criança que vai pela rua, olha o relógio da igreja. Não sabe ver horas, ensaia o sinal da cruz. Tem medo de entrar sozinho. Não ia mesmo, entrar. Num bolso tem tampinhas, no outro, rasgos.

           Parece que sou pessimista, mas eu canto as dores do mundo para não chorar as alegrias dos infernos. Rasgo meus dias na duvida que vejo nos olhos do destino dos alguens.

           Recordo um passado que lança sombras, modelando um futuro. Sombras frias. Frias e tortas farão tortos destinos.

           Das desgraças rirão os homens, que de tão perdidos não a sentirão. O homem vai igualando-se ao meio, dobra-se nele. Chega de moral. Vai e vem, a corrida do corpo, esquecem o presente que pena sem sentir. Dá vontade de gritar –“É a tristeza sem fim, é a ignorância dos alguéns”.

           Mas de tanto pensar o dia se foi, a noite chegou. Eu vi garotas bonitas, pelas calçadas eu vi. Junto as vitrinas, tinham sonhos de ilusão.

           Eu fico aqui no canto, engulo o tempo. Este tempo que passa, não me traz as mãos que me afagam os cabelos, apertam meus dedos.

           Viajo no olhar, os corpos que passam são estações em que desço. Mas não vejo os olhos que sinto aqui dentro.

           Bem, ela já vem vindo.

           Até logo.

 

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