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SRPQ RETALHOS

Fatos lembrados de minhas passagens
pela terrinha natal.


                    Santa Rita do Passa Quatro.

                    Lá estive tempos atrás. E também há muito tempo atrás. Tempos atrás, quando fui rever minha terra natal depois de uns 50 anos, e há muito tempos atrás quando lá morei e onde passei muitas de minhas férias escolares.

                    Na viagem de revisão que fiz, de chegada me decepcionei, ou melhor, fiquei chateado mas não surpreso. Quando na entrada da cidade, ruas e ruas, casas e casas que não existiam lá estavam. No meu tempo, saindo da cidade pelo jardim de matriz, passando em frente a delegacia de policia (ainda está lá?), quando pegávamos a descida, havia apenas uns dois quarteirões construídos. Não gostamos de ver nossos sonhos crescerem. Mas gostei quando vi a matriz com sua mesma imponência. Estava em restauração. Meu genro gostou muito, entrou e tirou varias fotos. Revi o jardim, onde nos fins de semana íamos ver o desfile de garotas. (Oh! Terra de menina bonita.) Uma tristeza me aguardava neste jardim, no lugar do coreto, havia um objeto que não orna em nada com a estrutura do jardim, chamam aquilo de concha acústica, dever ser gozação. O coreto era o nosso aparelho de som. Ofereciam-se musicas às musas, bilhetinhos amorosos eram lidos. Tudo fazia parte daquela época onde existiam galanteios, paqueras, ou melhor dizíamos “flertes”. Já nem lembro se é assim que se escreve. Aí chegou um infeliz, derrubou o coreto e construiu aquele troço. Bem que se poderia hoje, levar esse troço para uma praça moderninha, adequada a ele, e, reconstruir no nosso jardim, o nosso querido coretinho.Também tinha “footing” aos domingos após a missa das 8 (era das 8?). Durava pouco mas era bom. Elas ficavam desfilando e treinando olhares fingidos ou furtivos, para serem usados, quando nós saíssemos da missa das nove. Um fato interessante era que os homens, acompanhados, os capazes ou menos espertos, e desacompanhados, os incapazes ou sortudos, na hora do padre subir nos degraus para ficar mais no alto e falar ao seu dileto publico, quando se preparava para soltar sua verborragia, os homens saiam do igreja ficavam na escadaria da mesma, batendo papo, fumando, comentando sobre essa ou aquele garota. Alguns dos capazes ou menos espertos, acompanhados de gente mais brava, não saia. Eram alvos de chacota, após a missa. Quando o sininho tocava, anunciando o fim do falatório, voltavam os homens, para assistirem o restante da missa, ou seja, o segundo tempo. Lembrei-me de meu tio Gerson da Casa Segato, ao ver uns bancos de madeira perto da esquina ao lado da igreja. Certa vez ele apontou-me um dos bancos e disse: “- Aquele é o banco do pau mole.” Na minha “inocência e pureza” quis saber porque e ele disse que após a missa das 9 (acho que era das 9) sentavam-se ali vários idosos, saídos da missa. De alma lavada mas saudosos das priscas eras.

                    Subindo a rua (não lembro o nome) não vi a Casa Segato, nem consegui identificar onde era lá ela. Meu tio morava ali perto, mas de passagem, no carro, não consegui identificar nem qual era a rua onde morava. Preciso ir com vagar a cidade e andar a pé pelos lugares que conheci, e perguntando aqui e ali, rever tudo. Vi o pequeno jardim onde tem uma escola, era o grupo escolar onde lecionava minha tia Aída. E, ao lado desse jardim morava a Mardegan, por causa de quem tomei uma bronca de minha tia. Já lhes disse que em SRPQ tem meninas bonitas. Dos três rostos mais lindos que já vi, um é de Santa Rita, era o rostinho da Deusdedt. Perfeito, e por causa dessa perfeição passei uma grande vergonha. Foi numa viagem a Ribeirão Preto e, minhas primas têm culpa nisso. Talvez as 4 R (Rosalina, Rosana, Rosalba e Rosaura). Qualquer hora eu conto. Subindo mais um pouco cheguei a Estação. Estação, pra quem não sabe, era o ponto de parada do trem. Muitas vezes lá peguei o trenzinho para ir a fazenda Córrego Rico. O povo falava Córgo Rico (termo que já esta registrado nos dicionários). Nesse trenzinho, certa vez tomei-o em Porto Ferreira (ponto inicial) para ir a Córgo Rico, em companhia de um amigo. No mesmo vagão estava a filha do farmacêutico da Usina Vassununga (ponto final) juntamente com sua mãe (suponho). Sabia que era a filha do farmacêutico porque geralmente ia da fazenda até Vassununga buscar a correspondência e, por acaso passava em frente a farmácia. Deve, ela, ter me reconhecido, olhou, olhei e baixei os olhos, como que envergonhado. Parece que ela gostou, encarava e eu baixava os olhos. Fo assim até Santa Rita (metade do caminho). Daí pra frente, ela encarou, eu também, até que eu encarava, ela baixava os olhos, foi assim até Corgo Rico. Diverti-me bastante. E o idiota aqui, não foi a Vassununga, não foi a farmácia, podia encontra-la e bater um papinho e, podia até render um carreirão do pai dela. Sei lá.

                    Não tem mais a Maria Fumaça ou Queima Roupa, a estação virou ponto cultural. Mas os prédios, (estação, casa do chefe da estação, almoxarifado e outros) estão conservados. Pelo menos isso fizeram de bom, não derrubaram para construir uma concha acústica ou outra indecência qualquer. Da Estação pra frente, não existia cidade, agora vai até onde era o Sanatório, que ficava num local ermo.

                    De lá fomos até o Cemitério, queria ouvir o choro que o vento provoca ao passar pelas arvores que lá estão. Parece um lamento. Não sei para que. Os que lá estão, dispensam choros e lamentações, rezas e etc, etc. Quem precisa são os do lado de cá, que um dia estarão do lado de lá. Meu tio Gustão, ta lá, do lado de lá, faz tempo.

                    Depois fui rever a escola onde estudei. Apenas duas ruas davam acesso a mesma. Uma que descia do jardim e outra, paralela ao jardim, onde ficava a porta da escola. De lá tenho umas boas lembranças.

                    Para matar aula sem pular o muro, tinha que passar em frente a porta da secretaria e, logo depois, 4 ou 5 degraus onde descia para o portão de saída, dei uma olhadinha na porta, passei correndo e pulei os degraus, fui parar fora do portão, na rua, e contra o corpo de um professor que estava chegando. Ferro.

                    Quando os alunos maiores, do que seria hoje o colegial, resolviam que não haveria aulas, cercavam as duas ruas de acesso e ninguém passava. Quem tentava apanhava. Eu achava o fino. Voltava rapidinho pra casa, antes que alguém com más intenções, demovessem os alunos daquela idéia.

                    Fugir no intervalo era mais fácil. Então tive uma brilhante idéia, no horário do recreio, desci para o pátio, subi em uma das jabuticabeiras e esperei tocar o sinal. Todos entraram. Preparei-me para descer e enforcar as aulas restantes. Cheguei ao pé da árvore e, aos pés do inspetor que estava me esperando. Ferro.

                    Em uma outra vez, estávamos, eu, meu irmão e um colega, no banco do jardim, matando aula é óbvio. Aí chega um cara senta no nosso banco e puxa conversa. Contei contente que fugimos das aulas. Meu irmão começou a me cutucar. Dei um bronca e ele parou. E eu explicando pro cara que matava aula, principalmente, devido ao padre, professor de latim. O cara ria e eu me animava a descer o pau no padre. Quando ele saiu, meu irmão avisou que aquele era o irmão do padre. Danou-se.

                    Tinha o Clube (não lembro o nome) que não fui ver porque nem sei mais onde fica. Sei que fui lá algumas vezes em companhia da Beião. Como ela não gostava que eu tomasse umas, combinei com o garçom pra trazer o refrigerante aberto e já colocado um pouco nos copos. Não sei se ela não percebia, ou fingia não perceber que os dois copos estavam pela metade, mas a minha garrafa estava mais cheia que a dela. Meu copo já vinha batizado.

                    Depois dessa viagem, escrevi um artigo contando a visita e enviei para o jornal “O Santarritense”. Não sei se foi publicado, mas fiquei contente com a gentileza da jornalista, a Patricia (não errei, ou errei?) que acusou o recebimento. Grato.

 

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