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ERA ASSIM

Estava ouvindo Chopin, no rancho, quando já era,
passagem de 28 para 29/6, numa noite muito linda.



Era assim.
Eu acho que era
Era noite escura, e,
O que deveria ser negro, negro não era.
A tranquilidade da noite escura,
Quebrada estava, pela luz de um poste.
Luz amarela.
E, plantas, árvores e arbustos,
Esperavam descanso e paz.
O ar quieto lhes dava apoio.
Mas, nem repousar podiam, na agressão sofrida;
Na sua vontade de paz.
Na noite que devia ser escura,
Por entre os galhos de duas árvores,
Vê-se o clarão amarelo
Sobre as copas de outras árvores.
A luz agride,
A natureza pede paz,
As árvores não dormem.
Se não bastasse, ha! Se não bastasse,
Soa perto, alto e alto,
Piano de Hoffman tocando Chopin.
E, o natureza sofre com luz e som.
E vem Chopin com altos e baixos, agredindo.
Agredida a natureza com luz e som.
E eu contemplava tudo, balançando o corpo,
Como que dançando em homenagem a Chopin.
Mas, dançando devagar, lentamente,
Para não agredir a paz da natureza.
A natureza,
Pelas árvores quietas e mudas,
Como que ausentes com a agressão de luz e som.
Quietas, viram recolher-me.
Talvez não saibam que sinto por elas
A agressão que sofrem.
Mas, não sabem também,
Que achei tudo muito lindo,
Luz e som.

2000

 

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