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SEM DATA

Às vezes a gente não sabe se faz parte do que ama.


Um dia não sei quando,
Sei que era de manhã.
Isto é, faz tempo.
Tinha encontrado o amor.
Parecia filme
De primavera que se abria.
Tudo era amor.
A lua, as estrelas, como manda o figurino.
Acima disso o amor não acabava
As folhas que caiam, as que brotavam,
As que não caiam,
As palavras sem sentido,
Tudo era amor.
Um aceno, um aperto de mão, um adeus.
Um achego um beijo.
Que mais, que mais?
Tudo amor.
Eu via amor em tudo,
Nas nuvens, nos rios, nas chuvas.
No nevoeiro.
Nas horas de folga,
No serviço duro.
Nos filhos que me abraçavam,
Na mãe de meus filhos,
No futuro que antevia e,
Naquilo que não via.
Em tudo via eu, amor.
Todos e tudo, tão lindo.
Em tudo e todos o amor.
No canto do sabiá,
Na imponência do joão de barro.
No chuá-chuá das águas ou,
No seu espelho de quietude inquietante.
O amor estava em tudo e em todos.
Mas,
Lá não estava eu.

Santa Fé – RANCHO– 18/11/03

 

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